Efeitos colaterais por dose
A maior fonte de dados é o TRIUMPH-1: 2.339 adultos com obesidade ou sobrepeso e sem diabetes, acompanhados por 80 semanas. Neste estudo de fase 3, os participantes receberam 4, 9 ou 12 mg por semana, ou placebo.
| Efeito | 4 / 9 / 12 mg | Placebo |
|---|---|---|
| Náusea | 28,6 / 38,4 / 42,4% | 14,8% |
| Diarreia | 25,2 / 34,1 / 32,0% | 13,5% |
| Prisão de ventre | 23,8 / 25,9 / 26,1% | 10,9% |
| Vômito | 10,6 / 22,8 / 25,3% | 4,8% |
| Desistência por efeitos adversos | 4,1 / 6,9 / 11,3% | 4,9% |
Tabela 1. TRIUMPH-1, 80 semanas. Fonte: comunicado da Eli Lilly de 21 de maio de 2026 [2].
O artigo de fase 2 publicado no NEJM em 2023 resume a tolerância em uma frase. Os eventos mais comuns foram gastrointestinais, dependeram da dose, foram na maioria leves a moderados e diminuíram quando o tratamento começava com 2 mg em vez de 4 mg.
Quantos participantes desistem
A taxa de desistência por efeitos adversos é o número que melhor resume a tolerância. Ela conta quem saiu de um estudo com acompanhamento rigoroso.
- TRIUMPH-1 (80 semanas): 4,1% com 4 mg, 6,9% com 9 mg, 11,3% com 12 mg e 4,9% com placebo.
- TRIUMPH-3 (80 semanas): 9,8% com 9 mg, 13,5% com 12 mg e 4,8% com placebo.
- TRIUMPH-4 (68 semanas): 12,2% com 9 mg, 18,2% com 12 mg e 4,0% com placebo.
Os números da fase 3 vêm de comunicados de imprensa do fabricante. As tabelas completas de segurança só sairão com os artigos científicos.
Frequência cardíaca e disestesia
No estudo de fase 2, a frequência cardíaca aumentou com a dose, atingiu o pico em 24 semanas e depois caiu, embora os participantes continuassem em tratamento. Nenhum estudo publicou dados sobre arritmias. O estudo cardiovascular TRIUMPH-Outcomes (NCT06383390, cerca de 10.000 participantes) deve terminar por volta de fevereiro de 2029.
Disestesia é uma sensação anormal e incômoda na pele, como formigamento, ardência ou sensibilidade ao toque. No TRIUMPH-1, apareceu em 5,1% (4 mg), 12,3% (9 mg) e 12,5% (12 mg), contra 0,9% com placebo. No TRIUMPH-4, chegou a 20,9% com 12 mg. A bula americana da tirzepatida (Zepbound) informa de 0,2% a 0,4%.
O que os estudos ainda não mostraram
- Tireoide: nenhum documento publicado sobre a retatrutida trata desse risco ainda.
- Pâncreas e vesícula biliar: os comunicados não citam esses problemas, o que não prova que não ocorreram.
- Longo prazo: a exposição mais longa publicada é de 104 semanas, em 532 participantes.
- Interrupção: nada foi publicado sobre o peso ou os sintomas depois de parar o tratamento.
Avaliações e resultados: o que os estudos medem
Quem pesquisa “retatrutida antes e depois” encontra sobretudo relatos impossíveis de verificar. Não publicamos nenhum. Os resultados medidos vêm apenas dos estudos, em que os participantes receberam o produto da Eli Lilly com acompanhamento médico.
| Dose semanal | 24 semanas | 48 semanas |
|---|---|---|
| 1 mg | -7,2% | -8,7% |
| 4 mg | -12,9% | -17,1% |
| 8 mg | -17,3% | -22,8% |
| 12 mg | -17,5% | -24,2% |
| Placebo | -1,6% | -2,1% |
Tabela 2. Variação média do peso, estudo de fase 2 (338 adultos). Fonte: Jastreboff et al., NEJM 2023 [1].
No TRIUMPH-1, a perda média após 80 semanas foi de 19,0% com 4 mg, 25,9% com 9 mg e 28,3% com 12 mg, contra 2,2% com placebo. Isso equivale a 21,4 kg, 29,2 kg e 31,9 kg. Numa extensão até 104 semanas, o grupo de 12 mg chegou a 30,3%.
Uma média esconde diferenças. Com 48 semanas na fase 2, 83% do grupo de 12 mg tinham perdido pelo menos 15% do peso, ou seja, 17% não chegaram lá. No diabetes tipo 2 o efeito é menor: 20,8% com 12 mg no TRIUMPH-2.
Situação regulatória
A retatrutida é um composto experimental. Em setembro de 2026, ela não é aprovada pela EMA nem pela FDA, e nenhuma farmácia pode vendê-la com receita. A Eli Lilly afirma que pretende pedir a aprovação nos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2027. O que circula hoje é material de pesquisa, diferente do produto dos estudos.



